Reflexões sobre Liderança e Poder

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Quando falamos em autoridade somos remetidos à questão do poder. Refletir sobre o poder nos leva a questões tais como sua legitimidade, formas de uso, origem e outras questões pertinentes.

A figura do líder está intimamente atrelada à existência da equipe, acredito que ambas podem ser consideradas “complementares” num certo sentido, pois não há sentido falar de liderança sem sua contrapartida, os liderados.

Aqui faço uma ressalva: complementares desde que compreendamos a liderança como uma atividade que alavanque a performance das equipes, buscando resultados compatíveis com o negócio, mantendo constante foco com a missão e metas dessa organização, atuando, muitas vezes, como elo entre equipes de vários níveis e o nível hierárquico estratégico.

Além de buscar melhoria contínua nesse processo, se antecipando aos problemas e gerando caminhos com forte visão de futuro.

De outro lado, além de alinhar a equipe com os valores corporativos, deve inspirar, motivar e levar pessoas na superação de desafios, indo além do que imaginavam ser possível inicialmente, e tornando todos parte da visão de futuro.

Olhando dessa forma, líder e liderados são complementares, e o poder flui de um lado para outro conforme a necessidade, o momento e a situação.

O líder, com a postura acima descrita, tem sua autoridade fortalecida e inquestionada justamente por partilhar com seus liderados de uma forma intensamente democrática e, principalmente, criativa. O grupo, por outro lado, também exerce influência na natureza do comportamento da liderança.

Essa forma de autoridade democrática, onde todos podem definir sua opinião, desenvolver responsabilidade e decidir de forma compartilhada, gera entusiasmo, criatividade, satisfação, comprometimento, resultados, crescimento pessoal e profissional; como vemos, além de estratégica contribui para o aprimoramento do trabalho em equipe.

Nessa linha de raciocínio, dentre alguns comportamentos importantes da liderança podemos destacar:

mobilizar, envolver, agregar e compartilhar para decidir: dessa forma há um poder compartilhado que gera forte senso de coesão e alinhamento com a autoridade do líder, onde todos se sentem parte da decisão e parte da solução.

delegar e usar habilidades da equipe para ações e controles coletivos: podendo permitir que a liderança também seja exercida, em determinados momentos, e quando necessário, por alguns membros da equipe, gerando comprometimento que reforça autoridade da liderança. A equipe tende a agir visando o “bem comum”, aparando arestas e incorporando todos num grupo coeso.

autonomia e responsabilidade como tão importantes quanto conhecimento: que pode incentivar a criatividade e inovação, possibilitando aumento de resultados e melhoria de performance.

Os comportamentos que implicam partilha responsável de poder, relacionamentos mais horizontais, compromisso entre as partes com finalidade comum, relações mais próximas e colaborativas, pois o poder deixa de ser exercido apenas por um centro, sendo compartilhado por um grupo, de onde o líder faz parte, são comportamentos nem sempre fáceis de se praticar no cotidiano organizacional, apesar de importantes.

Sabemos que atitudes e comportamentos de liderança são desenvolvidos através de treinamentos, autodesenvolvimento, coaching, e outros processos, pois contrasta com a antiga gerência tradicional, hierarquizada e centralizadora.

O líder, além do aspecto estratégico de resultados, acaba incorporando um importante papel social dentro da organização. Ao mesmo tempo em que gere e distribui informações entre os diferentes níveis organizacionais, alinha diferentes tendências e forças para mudanças, lida com múltiplas habilidades funcionais e diferentes origens culturais, atua como facilitador para o aprendizado contínuo, promove engajamento e permite um grau de consciência e desenvolvimento crescente entre os colaboradores em geral.

Assim entendido, o líder passa a ter sua autoridade legitimada pelo próprio grupo.

Escrito por Lucy Cintra

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